Tuesday, March 8, 2011

Êxtase e desespero

O primeiro capítulo da viagem começou de uma maneira bem extremista. Literalmente visitamos o céu e o inferno em questão de minutos. Mas o que importa, realmente, é que estamos bem e que o GSTK enfim foi atualizado.

Como a escala em Roma seria de quase 12 horas, pensamos, obviamente, em assistir a uma partida no Stadio Olimpico. A ideia era ver a Roma jogar, mas quis o destino (e o calendário da Serie A) que fossemos comparecer em Lazio X Chievo Verona.

No Brasil, assumo, fiquei um pouco receoso, pois o histórico dos Ultras da Lazio não é nem um pouco animador para uma pessoa que está longe de ser branca. Mas no final pensei que já havia passado por situações muito piores no Brasil e sempre saíra ileso (ou quase sempre).

Ao chegar no Aeroporto Fiumicino, o primeiro sinal da rivalidade Roma X Lazio. Comentamos que iríamos para o estádio a dois taxistas, um romanista e outro laziano, e a reação imediata de ambos foi discutir em torno de qual time deveríamos torcer. O idioma que eles falavam, uma mistura de italiano com inglês, deu a nítida impressão de que a comunicação não seria fácil naquele domingo.

O jogo seria somente às 3h, então tínhamos tempo de sobra. Fiquei absurdamente fascinado com o Colosseum e um pouco menos com a Città del Vaticano. De lá, partimos para o palco da pelada.

Por fora eu já achara o estádio fenomenal; quando adentramos fiquei novamente abismado. Antes disso, uma torção, até então despretensiosa, no tornozelo de minha namorada mudaria o rumo daquela tarde.

Antes de a bola rolar, achei muito interessante a torcida inteira cantando o hino “Vola Lazio Vola”; e o voo da águia, mascote do time, pelo estádio (apesar de ser uma cópia do Benfica, que organiza o espetáculo há anos no Estádio da Luz).

O jogo estava fraco e as melhores oportunidades da Lazio saíam dos pés de Hernanes – disparado o melhor do time – e da cabeça de André Dias. Até que aos 48 minutos do primeiro tempo, o camisa oito acerta um balaço em cobrança de falta e alivia a tensão da torcida celeste. Golaço! Boa, Hernanes. Fim do primeiro e começo do nosso desespero.

O tornozelo da Gabi inchou e a dor intensificou-se absurdamente. O atendimento médico do estádio foi precário (primeiro mundo?) e só ajudou a piorar ainda mais.

Por fim, depois de aceitar erroneamente que uma ambulância nos encaminhasse para um hospital público em não-sei-qual-região-de-Roma, acabou que a demora no atendimento nos fez ir embora, sem que ela fosse atendida, num táxi que conseguimos chamar, graças ao celular do único italiano que falava inglês no perímetro de 500 metros, e pelo qual pagamos o olho da cara.

Passadas as emoções, já no avião rumo à Londres e sabendo que o jogo fora 1 a 1, pensei: “merda, queria ter visto a reação da torcida com o gol sofrido”. Fica para a próxima. Quem sabe num clássico Roma X Lazio, desta vez na torcida romanista.

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